Segunda-feira, 23 de Fevereiro de 2009

Reticências #1

 

"Ele não sabia que era impossível. Foi lá e fez."

 

Jean Cocteau

 

Como apenas numa linha se consegue dizer tanto.

música: Russian Red - Nice Thick Feathers
publicado por FruttiTutti às 00:07
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Sábado, 21 de Fevereiro de 2009

Mais vale sol que mal acompanhada

Hoje, quando abri a janela do meu quarto, o sol brilhou-me de forma pouco usual. Tive vontade de escancarar a janela para além dos seus limites e deixar-me derreter por aquela luz quente e reconfortante que me saudava a horas já um pouco tardias do meu dia. Estranhei, principalmente por ter escolhido, sem conhecimento disso e desafortunadamente, um quarto onde a luz do sol não incide directamente. Mas hoje, contrariamente ao que é habitual, parecia que o sol dançava para mim. Não sei quanto tempo fiquei ali, imóvel e submersa na sensação, mas sei o quão magnífico foi. Muito irónico também.

Os meus últimos tempos foram recheados de sombra, de escuridão, de desalento e desânimo. E os últimos dias, esses, foram estranhos, como que acordar numa outra realidade que não é a nossa, sentirmo-nos por fora de nós, sem comando na nossa postura, nos nossos movimentos, no nosso ser - andei quase que como a submeter-me a fisioterapia de mim, reeducando-me, reconhecendo-me, a readquirir o meu eu soterrado nos escombros de uma época obscura, as minhas atitudes, a minha forma, o que verdadeiramente me constitui. E eu sentia-me observadora de mim, externamente.

Mas hoje senti-me finalmente coroada pelo brilho que já deixara de conhecer.

Decidi ir só, comigo, dar uma volta. E fiz a agradável descoberta de que, afinal, posso gostar da minha companhia.

No fim de contas, mais vale SOL que mal acompanhada.

música: Amy Obenski - Carousel
publicado por FruttiTutti às 23:57
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Domingo, 1 de Fevereiro de 2009

Porta da cave

Eu nunca tive uma cave.

No entanto, considero isso mais do que uma falha arquitectónica. Toda a gente deveria ter uma cave.

Em época de mudanças interiores, encontrei-me a remexer nos baús empoeirados das memórias, a pisar a linha ténue que separa o que foi do que é, o que se viveu um dia e o que se vive no agora, no imediato. Muito ténue esta linha, um tracejado finíssimo, esbatido em grande parte do seu traçado. As memórias não nos perseguem - entranham-se, mostram-se e impõem-se.

Onde colocar as coisas velhas, usadas, abandonadas, esquecidas? Ou mesmo aquelas que de tanto uso estão agora despidas da sua forma, cujo conteúdo foi assimilado, absorvido em cada partícula da sua existência?

 

Renovação e partilha. É isso a que me proponho.

 

Fervilhava em mim a vontade de reabrir a caixinha dos pensamentos e dar-lhes forma.

 

As ideias, as impressões, as experiências, os sentidos.

 

Construo aqui a minha cave. Possivelmente também o meu sótão.

 

Está aberta a porta da minha nova casa.

 

Sejam benvindos.

 

publicado por FruttiTutti às 01:59
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