Quinta-feira, 28 de Maio de 2009

A Ti que já foste Eu

Ao fim de tanto tempo a falta de alimento vital condenou-te a seres o Passado que nunca teve direito ao seu Presente digno. Tentaste sobreviver, ofegando entre pedidos e súplicas para que não te deixasse desaparecer. Pediste tantas vezes para não te taparem ou encobrirem. Afinal, só querias ser aquilo que sempre foste, só querias poder continuar a existir da maneira que só tu sabias. Como tu querias dar voltas ao relógio num ritmo frenético que te fizesse por largos momentos sentir outros sabores, aqueles que há muito deixaste de poder contemplar e dizer teus, que te foram arrancados e deitados fora. Quiseste ser a construção segura de um abrigo e acabaste por ser pouco mais que um amontoado de tijolos, num esboço de parede inacabada. E deixaste o tempo passar e condenaste-te, por fim, ao esquecimento. Abandonaste o que tanto querias tornar imenso, belo, grandioso. E no teu lugar deixaste apenas os restos que o que lá ficou vai expulsando aos poucos.


 

Na tua lápide triste e envelhecida talvez se consiga então ler:

"A Ti que já foste Eu, descansa em paz na eternidade dos teus sonhos, de onde afinal nunca saiste."

 

publicado por FruttiTutti às 20:47
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Segunda-feira, 25 de Maio de 2009

If

If you can keep your head when all about you
Are losing theirs and blaming it on you;
If you can trust yourself when all men doubt you,
But make allowance for their doubting too;
If you can wait and not be tired by waiting,
Or, being lied about, don't deal in lies,
Or, being hated, don't give way to hating,
And yet don't look too good, nor talk too wise;


If you can dream - and not make dreams your master;
If you can think - and not make thoughts your aim;
If you can meet with triumph and disaster
And treat those two imposters just the same;
If you can bear to hear the truth you've spoken
Twisted by knaves to make a trap for fools,
Or watch the things you gave your life to broken,
And stoop and build 'em up with wornout tools;


If you can make one heap of all your winnings
And risk it on one turn of pitch-and-toss,
And lose, and start again at your beginnings
And never breath a word about your loss;
If you can force your heart and nerve and sinew
To serve your turn long after they are gone,
And so hold on when there is nothing in you
Except the Will which says to them: "Hold on";


If you can talk with crowds and keep your virtue,

Or walk with kings - nor lose the common touch;

If neither foes nor loving friends can hurt you;

If all men count with you, but none too much;

If you can fill the unforgiving minute

With sixty seconds' worth of distance run -

Yours is the Earth and everything that's in it,

And - which is more - you'll be a Man my son!

 

 

"If", Rudyard Kipling

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publicado por FruttiTutti às 14:30
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Domingo, 24 de Maio de 2009

Reticências #2


Para melhor e para pior


 

Sou hoje um pouco mais do que fui ontem.

 

 

Esher

 

 

música: Bob Dylan - The Times They Are A-Changin'
publicado por FruttiTutti às 11:32
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Terça-feira, 12 de Maio de 2009

Retalhos

Vesti o meu corpo de retalhos. Queria de uma forma indizível abraçá-los e, ao mesmo tempo, vê-los bem longe de mim. Eram retalhos dos pensamentos mais intimos, mais meus, dos desejos semeados em terrenos secos que os condenavam à morte mesmo antes de poderem florescer. Hesitei em cuidar deles, mesmo sendo meus. E quis afastar o perceber da respiração, o toque. Aquele toque que tinha ficado suspenso no ar e que eu queria atrair para mim, que eu tentava puxar com os meus olhos lânguidos, pela doçura, pela esperança, pela carência, pelo que ainda restava de mim. E as palavras jamais traduziriam aquilo que eu sabia estar a existir mas que tinha como errado, a voz da censura espetou-se como facas aguçadas que voavam na minha direcção. Mas mesmo com tudo isto eu senti-me bem, senti-me fresca, senti-me livre. Rodopiava e esvoaçava e estilhaçava-me em mil bocados que nunca se juntariam de novo da mesma forma como eram antes. Senti-me mudar de pele, de casca, de tudo.

Silêncio.

E fui bruscamente acordada de tudo isto e vi-me sentada no mesmo lugar, o mesmo eu, o mesmo tu, as velhas questões de sempre. E num suspiro esvaiu-se tudo o que poderia ser. Mas eu continuo a querer voltar ali. Ainda mais.

música: Beirut - Nantes
publicado por FruttiTutti às 00:29
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