Domingo, 21 de Junho de 2009

Já dizia o outro...

... lá do alto da sua sapiência, e de forma tão exaustivamente repetida que, mesmo que não quisesse, era impossível não interiorizar:

 

"Perspectivas quase ilimitadas se abrem hoje num horizonte nem sempre despido que contradições e até mesmo envolto em ensombradas núvens de verdadeira angústia." (1)

 

 

 

  

 

(Ora digam lá se isto não é pura "poesia"...)

 


 

(1) É rezar para que o Senhor Professor não seja cliente assíduo deste meu estabelecimento... senão, alguém se vai lixar!

 

Pelo sim pelo não, acho que vou remover a minha foto do perfil...

sinto-me: Obstetricamente frustrada
música: sei lá...
publicado por FruttiTutti às 02:32
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Quinta-feira, 11 de Junho de 2009

Carta a alguém

Querido alguém, ou ninguém talvez,

 

Não sei bem o que te diga, mas apetecia-me conversar. Já tentei fazê-lo com as minhas quatro paredes, mas tornou-se aborrecido, elas são um pouco reservadas e não me contam muito de si. A minha televisão adoeceu e encontra-se em cuidados paliativos, já vi que não há muito a fazer, resta-me agora reservar-lhe pequenos confortos e um resto de existência descansado. Os meus telemóveis encontram-se estranhamente sossegados, quietos, prostrados, calados – acho que estão com alteração do estado de consciência ou então entregaram-se ao abandono. Os meus bonequinhos e peluches estão no sítio de sempre, mas têm os olhos baços e dirigidos para longe, como se evitassem focar-se em mim. Encontro-me, pois, muda há alguns dias, num silêncio interior e numa dúvida persistente. Olho à minha volta e constato mais uma vez que estou realmente só. Não é que não o esteja nos outros dias, mas esta é bem diferente daquela solidão acompanhada que constitui o meu dia-a-dia. Desta vez, queira ou não, estou mesmo só. Já ultrapassei a fase de me indignar porque não era suposto ser assim. Na verdade, parece que já desisti de tentar que assim não fosse. Ouço os sons vindos de fora e que fazem eco cá dentro, tão vazia me encontro – o cão da vizinha que ladra lá longe, a cigarra que faz um barulho irritante. Se não fosse sentir os passos da vizinha de cima e ouvir o barulho do helicóptero do INEM que se aproxima para aterrar no Hospital, acreditaria estar mesmo no meio do nada. Mas sim, estou mesmo no meio do nada. Olho para o relógio vezes sem fim, e cada minuto que passa é um minuto que dói. Deito-me, escondo-me nas almofadas. O telemóvel faz-me as perguntas de sempre mas eu recuso-me a responder.

Sabes, hoje senti-me realmente assustada. Assolou-me um pensamento que há muito não habitava em mim… precisamente aquele que mais me faz tremer, sofrer, abanar a cabeça com violência acreditando que ele assim se desvanece e nunca mais vai voltar. Sempre tive medo da morte. Para além da dos outros, da minha. Sempre quis acreditar que a minha vida seria como um filme ou um livro: enquanto dura, embrenhamo-nos na história, somos parte dela, vivemos lá dentro; quando termina, nós não terminamos com ela, nós permanecemos, pensamos, sentimos, somos, embora outra coisa qualquer. E depois tudo recomeça outra vez, mas quando termina, sempre regressamos à linha de base, onde continuamos a ser, a pensar, a sentir. Assusta-me pensar que com o verdadeiro Eu não seja assim, que depois de terminar não voltarei à “linha de base” e estarei pronta para outra. É este nada que me assusta. Este nada derradeiro e absoluto. E recuso-me a pensar que desapareça assim. E arrepio-me e contorço-me e escondo-me e choro. E não quero, com todas as minhas forças, que seja assim.

E olho mais uma vez para o relógio e dói mais uma vez. Acho que queria que o tempo voasse e levasse consigo todas as indiferenças e expectativas, todas as companhias ausentes, todas as conversas superficiais, para não ter de me cruzar com elas.

Sabes, acho que hoje desapareceu mais uma parte de mim.

E amanhã será um novo dia, com mais ausências, mais paredes, mais ocupações inadiáveis que se desfazem, mais nadas.

Voltamos a encontrar-nos amanhã.

Sempre tua, o que quer que seja,

Ana I.

 

publicado por FruttiTutti às 22:39
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Segunda-feira, 1 de Junho de 2009

Faz-me espécie!

Não há melhor maneira de começar o dia, principalmente tratando-se de uma Segunda-feira a seguir a um Domingo particularmente stressante:

 

Acordar 20 minutos depois da hora programada (à qual tinha de acordar impreterivelmente), tomar duxe a correr e levar com a porta (que se desmanchou do resto sem mais nem porquê) em cima da cabeça, avariar o secador, entornar o leite e acabar por sair de casa meia zonza sem nada no estômago por já estar absolutamente atrasada, descer no elevador a fazer a escala mental das toneladas de coisas que tinha de fazer nesse dia e no resto da semana e nas próximas semanas, torcer o pé à saída da porta, praguejar com os óculos de sol que me escorregavam da cabeça e deparar-me com a imagem que me faria sentir-me um cubo de gelo debaixo de um sol tórrido: o senhor meu vizinho que nunca vi mais gordo, todo lampeiro, calçãozinho e havaianas, pacificamente a atafulhar a mala do seu carro com malas, sacos térmicos, chapéus de sol e restante parafernália de apetrechos de veraneante que se prepara para acabar com o seu bronze de camionista e dedicar os próximos tempos única e exclusivamente à arte do anhanço, com o Record debaixo do braço e molhar o rabo de hora a hora na água limpida de uma praia paradisíaca qualquer, de preferência a milhas daqui.

 

 

Ora, eu, que ja tinha começado tão bem um dia que se adivinhava longo, ao deparar-me com este cenário, só me pude confrontar com aquele pensamento sempre animador:

"Calma, Anisabel, só te faltam dois meses de época de exames..."

publicado por FruttiTutti às 20:46
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