Quarta-feira, 22 de Julho de 2009

Parece-me bem.

 

Como as palavras não abundam, hoje expresso-me na forma de música.

 

 

 

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publicado por FruttiTutti às 15:09
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Terça-feira, 14 de Julho de 2009

Amanhã talvez

Hoje não quero prender-me. Não quero deixar de sentir tudo aquilo a que tenho direito, sem pressas, sem porquês, sem senãos. Quero deixar-me levar por aquilo que me impele, seja certo ou errado, seja uma mistura de ambos sem distinção possível.

 

Hoje não quero dizer que sim nem que não. Quero apenas continuar, embalar-me numa ociosa preguiça de gestos inesperados, não calculados e sorrisos autênticos.

 

Hoje não quero pensar. Não quero adiar a doçura do toque, a magia do sabor, o percorrer daquele caminho que ficou por descobrir. Quero apenas render-me, serena, ao que for e ao que vier.

 

Hoje não. Amanhã talvez.

 

 

 

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publicado por FruttiTutti às 18:33
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Segunda-feira, 25 de Maio de 2009

If

If you can keep your head when all about you
Are losing theirs and blaming it on you;
If you can trust yourself when all men doubt you,
But make allowance for their doubting too;
If you can wait and not be tired by waiting,
Or, being lied about, don't deal in lies,
Or, being hated, don't give way to hating,
And yet don't look too good, nor talk too wise;


If you can dream - and not make dreams your master;
If you can think - and not make thoughts your aim;
If you can meet with triumph and disaster
And treat those two imposters just the same;
If you can bear to hear the truth you've spoken
Twisted by knaves to make a trap for fools,
Or watch the things you gave your life to broken,
And stoop and build 'em up with wornout tools;


If you can make one heap of all your winnings
And risk it on one turn of pitch-and-toss,
And lose, and start again at your beginnings
And never breath a word about your loss;
If you can force your heart and nerve and sinew
To serve your turn long after they are gone,
And so hold on when there is nothing in you
Except the Will which says to them: "Hold on";


If you can talk with crowds and keep your virtue,

Or walk with kings - nor lose the common touch;

If neither foes nor loving friends can hurt you;

If all men count with you, but none too much;

If you can fill the unforgiving minute

With sixty seconds' worth of distance run -

Yours is the Earth and everything that's in it,

And - which is more - you'll be a Man my son!

 

 

"If", Rudyard Kipling

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publicado por FruttiTutti às 14:30
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Terça-feira, 12 de Maio de 2009

Retalhos

Vesti o meu corpo de retalhos. Queria de uma forma indizível abraçá-los e, ao mesmo tempo, vê-los bem longe de mim. Eram retalhos dos pensamentos mais intimos, mais meus, dos desejos semeados em terrenos secos que os condenavam à morte mesmo antes de poderem florescer. Hesitei em cuidar deles, mesmo sendo meus. E quis afastar o perceber da respiração, o toque. Aquele toque que tinha ficado suspenso no ar e que eu queria atrair para mim, que eu tentava puxar com os meus olhos lânguidos, pela doçura, pela esperança, pela carência, pelo que ainda restava de mim. E as palavras jamais traduziriam aquilo que eu sabia estar a existir mas que tinha como errado, a voz da censura espetou-se como facas aguçadas que voavam na minha direcção. Mas mesmo com tudo isto eu senti-me bem, senti-me fresca, senti-me livre. Rodopiava e esvoaçava e estilhaçava-me em mil bocados que nunca se juntariam de novo da mesma forma como eram antes. Senti-me mudar de pele, de casca, de tudo.

Silêncio.

E fui bruscamente acordada de tudo isto e vi-me sentada no mesmo lugar, o mesmo eu, o mesmo tu, as velhas questões de sempre. E num suspiro esvaiu-se tudo o que poderia ser. Mas eu continuo a querer voltar ali. Ainda mais.

música: Beirut - Nantes
publicado por FruttiTutti às 00:29
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Domingo, 15 de Março de 2009

Baú aberto

 

 

 

 

 

Se há coisas difíceis de explicar, uma delas é a Saudade.

Ainda mais de coisas que não julgava poder sentir.

 

 

 

 

 

 

Saudade dos olhares ternos que me abraçavam e me acolhiam, sem necessidade de outro tipo de expressão.

 

Saudade daquela cumplicidade em que nenhuma palavra fazia falta e os pensamentos fluiam livremente, conjugados nas mesmas ideias, no mesmo momento, e que despertavam aquele riso tão nosso.

 

Saudade do cheiro a palha e terra molhada daquelas tardes em que o ar tinha aquela cor estranha, quando o sol teima em brilhar para além daquelas núvens escuras e densas.

 

Saudade de ver no horizonte o campo, os verdes, os castanhos, aquela mistura tão característica e harmoniosa que se insinuava para além do telhado descuidado da frente.

 

Saudade do céu azul e do sol brilhante, que dava a tudo aquelas tonalidades fortes, vivas e vibrantes.

 

Saudade do aroma do armazém, da azáfama da mercadoria a chegar, tanta coisa para conferir e arrumar.

 

Saudade daquelas tardes de verão de calor insuportável, de voltar de apanhar ar do terraço a ver os tons quentes do por-do-sol e ouvir a carrinha do pai a chegar, aquele barulho de motor inconfundível, que me fazia correr escadas abaixo para abrir o portão e dar um grande abraço.

 

Saudade de me sentir conhecida, dos cumprimentos, dos acenos, do voltar de cabeças para ver quem vai ali, do ouvir sussurrar pormenores bizarros e pouco discretos sobre quem passa.

 

Saudade de percorrer aquele caminho de todos os dias e de pensar onde me encontraria dali a alguns anos e se iria recordar aqueles mesmos pensamentos, revivendo de fora aquilo que fervilhava por dentro.

 

Saudade de quando subiamos até lá acima, naquelas noites de verão, e ali permaneciamos, abandonados ao nosso próprio tempo, envoltos em risos e histórias que só nós entendemos.

 

Saudade de ouvir o meu Nikita cantar enquanto regava os vasos de flores do quintal, a sentir o calor na face e a frescura da água cristalina nos pés, ignorando a voz maternal que me dizia "não molhes os pés".

 

Saudade dos planos que fazíamos e saudades da época em que os podíamos fazer, sabendo que ainda os podíamos realizar (tinhamos todo o tempo do mundo à nossa frente!), mesmo que na maior parte das vezes isso nunca chegasse a acontecer.

 

Saudades das caminhadas a lado nenhum, porque nunca havia destino possível, e íamos parar sempre ao mesmo sítio.

 

 

E pena de ver tudo isto tão distante, tão ausente, tão separado de mim.

Mas ainda assim consigo sentir, cheirar, ver tudo isto. Como se fosse o meu filme.

 

 

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publicado por FruttiTutti às 23:10
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Sábado, 21 de Fevereiro de 2009

Mais vale sol que mal acompanhada

Hoje, quando abri a janela do meu quarto, o sol brilhou-me de forma pouco usual. Tive vontade de escancarar a janela para além dos seus limites e deixar-me derreter por aquela luz quente e reconfortante que me saudava a horas já um pouco tardias do meu dia. Estranhei, principalmente por ter escolhido, sem conhecimento disso e desafortunadamente, um quarto onde a luz do sol não incide directamente. Mas hoje, contrariamente ao que é habitual, parecia que o sol dançava para mim. Não sei quanto tempo fiquei ali, imóvel e submersa na sensação, mas sei o quão magnífico foi. Muito irónico também.

Os meus últimos tempos foram recheados de sombra, de escuridão, de desalento e desânimo. E os últimos dias, esses, foram estranhos, como que acordar numa outra realidade que não é a nossa, sentirmo-nos por fora de nós, sem comando na nossa postura, nos nossos movimentos, no nosso ser - andei quase que como a submeter-me a fisioterapia de mim, reeducando-me, reconhecendo-me, a readquirir o meu eu soterrado nos escombros de uma época obscura, as minhas atitudes, a minha forma, o que verdadeiramente me constitui. E eu sentia-me observadora de mim, externamente.

Mas hoje senti-me finalmente coroada pelo brilho que já deixara de conhecer.

Decidi ir só, comigo, dar uma volta. E fiz a agradável descoberta de que, afinal, posso gostar da minha companhia.

No fim de contas, mais vale SOL que mal acompanhada.

música: Amy Obenski - Carousel
publicado por FruttiTutti às 23:57
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